terça-feira, 25 de novembro de 2008

E no princípio, havia... um caderninho azul.

Em um pequeno caderninho azul, escritos á lápis em uma letra cada vez menos redondinha, estão meus primeiros poeminhas. Não sei bem quando as rimas começaram, mas foi só aos 10 anos, em 2001, que resolvi guardar um caderninho exclusivamente para eles.

Como é de se esperar de uma criança, têm rimas bonitinhas, um rudimento de métrica, e uma falta estonteante de conteúdo que não seja levemente ridículo. De 2001 a 2003, falava de passarinhos, da cor azul, de desastres que me faziam pensar, ocasionalmente de uma mágoa ou outra...

Reflexões sobre "...e o vento levou

Quem nunca assistiu o filme
Logo pensa em um vendaval
Em furacões e tormentas
Em confusão geral

Mas ao ver o filme
Não foi o vento que levou
Foi a burrice do homem
Que a terra arrasou

Que mostram como a guerra
É fria e sem sentido
Ninguém vence, todos pedem
E saem muito feridos

As mulheres e crianças
Nada podiam fazer
Só ficavam em suas casas
Torcendo para não morrer.

Só com choques o homem percebe
As tolices que ele faz
Só espero que esta geração
Queira simplesmente a paz.

(15 de Julho de 2001)


Até que veio a adolescência e suas melancolias... Afinal, só o começo das crises adolescentes fariam uma menina de 13 anos escrever isso:

Ermitã

Esconde o teu rosto:
Afinal, quem quer ver
Teus grandes olhos tristes
E lágrimas a correr?

esconde o teu corpo
Afinal, quem se importa
Com todas as cicatrizes?

Esconde teus pensamentos
Afinal, quem quer ouvir
Sobre dias mais felizes?

Esconde a tua voz
Pois ninguém quer ouvir
Os teus clamores de dor

Esconde teu coraçaõ
Pois ninguém se importa
Se por trás das aparências
Ainda pulsa o amor.

Esconde-te da luz do sol
Dos homens e sua civilização
Faz da noite tua mãe
E tua companheira,
A solidão.

Pois o mundo inteiro te deixou para trás
Os teus amigos já não o são mais
Não te resta nem mais uma mente sã
Já não te resta nada, solitária
Ermitã.

(4 de Outubro, 2004)

Pode-se ver que foi uma transição nada suave...

Um comentário:

Max Braun disse...

Por necessitar da capacidade,
A poesia procurei
Veio-me logo a oportunidade
Mas por que raios a deixei?

Talvez este seja
O meu primeiro poetar
Bastante distante
Das belas ondas do mar

Eu nunca soube ler
O que fiz, foi sonhar
Sempre quis compreender
Ilumina-me Luar!

Que haja logo
Compreensão
E que eu consiga,
A partir do foco
Grande ascensão