terça-feira, 25 de novembro de 2008

A Saga do Caderninho Azul: 2 - amor e solidão em uma menina de 14 anos...

Assim, continuando nosso "tour" pelo entre pequenas revoltas e agonias, e um ou outro poemazinho, de repente aconteceu o inevitável: as pequenas paixonites. Obviamente, naquela idade, (e para uma menina tímida) as chances de isso ser correspondido por meninos daquela idade são mínimas... Então, obviamente, a temática de meu primeiro "poeminha de amor" tinha que ser de um não-correspondido:



Te quero,
Oculta nas sombras
Te espero
Penso em ti em segredo
E vivo sempre com medo
De perder o que nunca foi meu

Teu olhar
Não há nada mais profundo
Mais lindo neste mundo
Me toca e me faz voar


(entre 2003 e 2004)

Com o tempo, as pressões da mídia e "experiências" sussurradas por amigas, o lado doce do amor não-correspondido foi se perdendo.
Sim, em alguns espíritos revoltados há a opção de se desistir do amor e da humanidade aos 14 anos.

Maldição do Amor

Por que sofrer pelo amor?
Por que tentar preencher
O vazio do coração?
Já que sei, que por mais que tente
Sou fadada a solidão?
Por que preencher com os outros
O vazio que há em mim
Se sozinha não o faço
Por que com outros seria assim?
A maldição do amor
Cai ainda mais pesada
Sobre aquela que mesmo que tente
Nunca foi, nem será, amada.

Ah, o drama... Mas na época, isso era sim uma grande fonte de agonia. E junte a isso a um rudimentar conhecimento de fazer poesia, e é nisso que dá...
Mas, ou até talvez em decorrência da falta de sucesso no começo de vida amorosa, mais e mais predominava o tema que até hoje persiste em muito do que escrevo: o deslocamento e a solidão.


Um Pedido à Lua

Lua? Onde está?
Apareça
Linda pérola da noite
Não me esqueça
Em seu reino de escuridão

Mostre seu orbe
Branco e austero
Pois aqui por você espero
Em minha doce contemplação

Pois se antes eu a observava
Sozinha e melancólica estava
Enquanto pelo céu caminha

Agora a compreendo
Sua melancolia entendo:
Eu também fui deixada sozinha.

Me apóie, me proteja
Lua, eu lhe peço que seja
Para mim tal qual irmão

Então seremos duas almas perdidas,
Na terra e no céu, só unidas
Pela sina da solidão

(24 de Abril de 2005)

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